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Meu Filho Tem Ansiedade na Escola — O Que Fazer Quando Você Também Está Perdido

Marcio AlbuquerqueMarcio Albuquerque · Psicanalista e Pastor · 23/04/2026

O essencial primeiro

Se seu filho chora antes de ir à escola, tem dor de barriga toda manhã ou simplesmente travou — você não falhou como pai ou mãe. Existe algo acontecendo dentro dele que precisa de escuta, não de bronca. Com acolhimento certo e, se necessário, ajuda profissional, ele pode atravessar isso. Você também.

1 em 5
crianças brasileiras apresentam sinais de ansiedade escolar (SBP, 2025)
73%
dos pais demoram mais de 6 meses para buscar ajuda profissional
8 a 12
anos — faixa etária em que a ansiedade escolar mais aparece
Grátis
1ª sessão comigo — orientação para pais também

Você está aqui provavelmente porque hoje de manhã foi difícil de novo. Seu filho chorou, disse que não queria ir, reclamou de dor de barriga — ou simplesmente ficou parado, com aquele olhar que você não consegue decifrar. E você ficou dividido: forço ou acolho? Estou errando? Essa angústia de pai e mãe que não sabe o que fazer é mais comum do que parece. E o fato de você estar buscando respostas já mostra que está no caminho certo.

Ansiedade na escola: isso não é frescura nem falta de limites

A primeira coisa que você precisa ouvir é: seu filho não está fazendo drama. E você não criou errado.

Ansiedade escolar é um sofrimento real. O corpo da criança responde com dor de barriga, enjoo, taquicardia, mãos suadas — tudo isso antes mesmo de sair de casa. Não é preguiça. É um alarme interno disparando sem que ela consiga explicar por quê.

Muitos pais confundem isso com birra ou manipulação. Mas pense: se seu filho pudesse escolher entre ir tranquilo e sofrer daquele jeito, o que ele escolheria? Ninguém quer sentir medo assim.

O problema é que quanto mais a gente força sem entender, mais o alarme dispara. E quanto mais dispara, mais difícil fica voltar à escola com segurança.

Sinais de que a ansiedade do seu filho precisa de atenção

Nem toda criança expressa ansiedade do mesmo jeito. Algumas choram abertamente. Outras ficam quietas demais. Fique atento a estes sinais persistentes:

  1. Queixas físicas repetidas — dor de cabeça, enjoo ou dor de barriga que aparecem só em dias de aula e somem no fim de semana
  2. Resistência intensa para sair de casa — choro, gritos, se esconder, travar na porta
  3. Mudança no sono — dificuldade para dormir na noite de domingo, pesadelos frequentes
  4. Queda no rendimento — notas caindo sem explicação aparente, dificuldade de concentração
  5. Isolamento social — não quer mais brincar com colegas, evita recreio, come sozinho

Se três ou mais desses sinais aparecem há mais de duas semanas, vale prestar atenção com cuidado — sem pânico, mas sem ignorar.

O que está por trás: por que a escola virou ameaça

Na cabeça de um adulto, escola é lugar seguro. Na cabeça de uma criança ansiosa, pode ser um campo minado invisível.

As causas mais comuns que vejo no consultório:

Às vezes não é uma causa única. É uma soma de pequenas pressões que a criança ainda não tem estrutura emocional para processar sozinha. E tudo bem — é por isso que ela precisa de você.

O que fazer — e o que evitar

Quando seu filho trava de ansiedade, o instinto é resolver rápido. Mas algumas reações comuns dos pais pioram sem querer:

Evite:

Prefira:

A ideia não é eliminar todo desconforto. É mostrar ao seu filho que ele pode sentir medo e ainda assim dar o próximo passo — com você ao lado.

Quando procurar ajuda profissional

Nem toda ansiedade escolar precisa de terapia. Às vezes, ajustes em casa e na escola já fazem diferença. Mas existem momentos em que a ajuda profissional é importante:

Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal de que você leva a dor do seu filho a sério. Um psicanalista pode ajudar a criança a dar palavras ao que ela sente — e pode ajudar você a entender o que está acontecendo sem culpa.

Como funciona o acompanhamento — para a criança e para os pais

Quando uma família me procura com essa queixa, a primeira coisa que faço é ouvir. Ouvir a criança, sim — mas também ouvir os pais.

Porque ansiedade infantil não existe isolada. Ela nasce dentro de um sistema de relações. Muitas vezes, a angústia do filho reflete algo que a família inteira está atravessando.

O acompanhamento costuma envolver:

Minha primeira sessão é gratuita, online, e serve justamente para isso: entender o que está acontecendo antes de qualquer compromisso. Você não precisa ter certeza de nada para marcar. Basta estar preocupado.

A angústia é o preço que pagamos pela liberdade de nos tornarmos quem somos.— Søren Kierkegaard

Perguntas frequentes

Ansiedade na escola é normal ou é transtorno?
Um certo nervosismo em provas ou no primeiro dia de aula é esperado. Quando o medo é desproporcional, constante e impede a criança de funcionar — recusando ir à escola, apresentando sintomas físicos frequentes — pode estar associado a algo que merece atenção profissional. Só um especialista pode avaliar caso a caso.
Devo forçar meu filho a ir à escola mesmo chorando?
Não existe resposta única. Forçar sem acolher piora a ansiedade. Deixar faltar sempre reforça a evitação. O caminho do meio é validar o que ele sente, oferecer presença e ir construindo a volta aos poucos — com apoio da escola e, se necessário, de um profissional.
A culpa é minha como pai ou mãe?
Não. Ansiedade infantil tem múltiplas causas — temperamento da criança, ambiente escolar, mudanças familiares, pressão social. Culpa paralisa. O que seu filho precisa não é de um pai perfeito, mas de um pai presente e disposto a entender o que está acontecendo. Você já está fazendo isso.
Criança precisa de terapia ou isso passa sozinho?
Às vezes passa com ajustes no ambiente e acolhimento da família. Mas quando os sintomas persistem, se intensificam ou geram sofrimento significativo, a terapia ajuda a criança a elaborar o que sente antes que o padrão se consolide. Quanto antes se intervém, mais leve tende a ser o processo.
Vocês atendem crianças online? Funciona?
Sim. Atendo online via Google Meet ou WhatsApp vídeo. Crianças a partir de 7 ou 8 anos costumam se adaptar bem ao formato, especialmente quando estão no ambiente seguro de casa. A primeira sessão é gratuita e serve para avaliarmos juntos se o formato funciona para o seu filho.
Marcio Albuquerque
Marcio Albuquerque
Psicanalista e Pastor
Psicanalista e pastor evangélico. Atendimento online a brasileiros no Brasil e no exterior. Mais de 20 anos de aconselhamento pastoral.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui acompanhamento terapêutico profissional. Se você está em sofrimento agudo, procure ajuda: CVV 188 (24h, gratuito), SAMU 192 (emergência), ou a unidade de CAPS mais próxima. Nenhum artigo deste site diagnostica transtorno nem prescreve medicação.